Arte gera lucro e emprego

Esta semana o TCU aprovou determinação que proíbe a Lei Rouanet para projetos com fins lucrativos ou autossustentáveis. A proibição ainda não tem previsão de quando entra em vigor, mas a perspectiva de complicações com o TCU já dificulta a vida dos produtores culturais.

Demonizar o lucro remonta ao catolicismo da idade média. Cobrir custos de produção de um evento e proporcionar remuneração digna ao artistas e produtores seria lucrar? O próprio MinC explica que todos os projetos incentivados pela Lei Rouanet tem potencial lucrativo.

Incentivar as produções artísticas está ligado a ideia de fomentar o desenvolvimento econômico, ou seja, gerar condições para que estas iniciativas se tornem lucrativas.

O Rock in Rio, exemplo de “amoralidade” usado por Ministro do TCU, atrai centenas de milhares de turistas e ativa várias cadeias econômicas: hotelaria, aviação, gastronomia, produtos manufaturados localmente, entre outros.

É fundamental para o desenvolvimento da arte que ela seja reconhecida como atividade profissional geradora de valor , e não como algum tipo de diletantismo ou abnegação dispensável. Os benefícios da economia da cultura e da economia criativa também se baseiam no fato de que estas atividades geram riqueza, ou seja, são lucrativas.

Quando uma empreiteira é paga com dinheiro público para fazer uma ponte, ou estrada, é natural imaginar que os engenheiros serão bem remunerados e que os investidores obterão lucro. É muito comum ainda que o viaduto de concreto seja visto como um investimento que fomenta a economia e gera empregos, mas um festival de música não.

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Carnavais, Festivais de música, Teatro e Dança são tão importantes para o desenvolvimento econômico quanto estradas e viadutos. Na foto a banda Xutos  no Rock In Rio Lisboa.

Parece que estamos diante de mais um caso de preconceito contra a atividade artística, que para alguns deve ser contida, mantida no âmbito da academia. Não poucas vezes os artistas escutam barbaridades do tipo “arista trabalha por prazer” ou “ok, você é artista, mas no que você trabalha?”. Políticas que oprimem artistas e privilegiam alguns poucos famosos que se dispõe a fazerem propaganda partidária constituem-se em típica estratégia de governos autoritários.

As perguntas que não querem calar: O que é moralmente questionável Sr.Ministro Sherman? Os super salários de tecnocratas remunerados com dinheiro do contribuinte? O quanto  ganha um ministro do TCU? Se o diretor de teatro perceber a mesma renda anual de um ministro do TCU isto será considerado lucro?

Os brasileiros são constantemente abusados pela neo oligarquia ao melhor estilo dos marajás. Esta elite de altos cargos públicos que odeia o lucro e finge zelar pela moral não vacila na hora de articular aumento de impostos e de seus próprios salários, para garantir seus privilégios. Ao resto do povo tentam impor a miséria e todo tipo de restrições e confiscos abusivos.

Por Luciano Medina Martins

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Sobre Luciano Medina Martins

Journalist, blogger, activist against the abuses of states that violate citizens' rights. I don't write about one only topic, I like to interact with many different issues. No fake news here.
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