Transporte público em debate: Temos alternativas ao ônibus

Mais de 500 cidades do mundo já acomodam pelo menos um milhão de habitantes, no Brasil são quase 20 as cidade com mais de um milhão de pessoas. Uma das corridas tecnológicas bastante disputadas da atualidade é a por soluções de transporte para tanta gente se aglomerando em cidades, e o carro parece que está ficando em segundo plano, ou pelo menos vai disputar com alternativas rápidas, limpas e baratas.

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e-Hang, o drone chinês que transporta um passageiro e que dispensa o piloto entra em operação comercial ainda este ano em Dubai.

As políticas de transporte melhor sucedidas e modernas apostam na integração de diferentes tipos de veículos que se adaptam a condições de cidades desenvolvidas de forma nem sempre muito organizada e em terrenos com barreiras naturais, como montanhas, rios, rochas, areia entre outros. Mas a criatividade na busca de soluções mais sustentáveis é o norte da vanguarda em transporte.

Os ônibus podem ser de diversos tipos, de dois andares, articulados, movidos a combustíveis de origem vegetal. A tendência são os elétricos, híbridos e sem motorista. Aumenta a variedade de tamanhos, de ambientes onde circulam e a integração a outros tipos de transporte.

Racks para bicicletas em ônibus.

Uma das alternativas baratas de integração são racks que permitem aos ciclistas pendurarem suas bicicletas nos ônibus.

Uma das alternativas de integração com baixo custo, que já existiu em Porto Alegre, são racks que permitem aos ciclistas pendurarem suas bicicletas nos ônibus, bastante comum na Europa e nos Estados Unidos, inclusive com aplicações para o turismo sob bicicletas. Copenhagen é um dos exemplos mais famosos de integração e interação com os ciclistas. Lá os ônibus, trens e metrôs têm espaços para as bikes.

A mais recente onda de renovação são pequenos ônibus elétricos sem motorista que já funcionam em Paris, Dubai, Copenhagen, Helsinque e que em Londres recebeu o apelido simpático de Harry. São tão seguros e eficientes em baixa velocidade que podem rodar até mesmo em áreas onde circulam pedestres, no interior de aeroportos e áreas centrais de cidades muito intensamente ocupadas, sem atropelamentos.

bonde elétrico de dois andares em Porto Alegre nos anos 40.

Porto Alegre já foi uma vanguardista nos bondes elétricos, foi o único lugar no Brasil onde circulou regularmente o bonde elétrico de dois andares.

O bonde elétrico  foi deixado para trás na capital gaúcha que hoje depende para o transporte municipal quase exclusivamente dos ônibus movidos a motor de combustão, modelo de transporte coletivo que pode ser extinto ainda neste século em Londres e Paris. Mas, existem projetos para metrô, aero móvel e trem de superfície, todos estas possibilidades tem propostas que aguardam há anos por sua implementação na maior cidade do Rio Grande do Sul. O transporte coletivo em Porto Alegre sofre com a incapacidade de seus gestores em captar investidores e com a influência política do cartel de empresas de ônibus, historicamente envolvidas com o financiamento de campanhas políticas.

Teleféricos, escadas rolantes, calçadas rolantes e até drones sem piloto que levam um passageiro estão implementadas ou sendo implementadas para agilizar e fazer fluir o transporte em grandes cidades e áreas muito densamente povoadas.  O e-Hang chinês, que vem sendo desenvolvido desde 2007 vai começar a operar comercialmente este ano em Dubai. Mais de 600 minivans de linha de fábrica da Chrysler já rodam sem motorista na cidade de Phoenix, nos Estados Unidos.

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Ônibus sem motorista da Finlândia. Seguro, sustentável, projetado para áreas com muita presença de pedestres.

Todas estas alternativas estão sendo pensadas e implementadas, vislumbrando um futuro onde carros ou ônibus a combustão serão  proibidos. Os governos britânico e francês anunciaram a intenção de banir carros a combustão até 2040 e a gigante sueca Volvo divulgou que a partir de 2019 vai produzir somente carros híbridos ou puramente elétricos. Além disso existe um declínio no interesse dos jovens por carros.

 

 

 

Links relacionados

http://www1.folha.uol.com.br/mercado/2017/07/1904325-reino-unido-banira-carro-a-diesel-e-a-gasolina-em-2040-diz-jornal.shtml

http://www.techrepublic.com/article/driverless-bus-hits-the-streets-in-finland-could-revolutionize-public-transportation/

https://en.wikipedia.org/wiki/Sustainable_transport

http://lealevalerosa.blogspot.com.br/2013/04/o-bonde-da-historia-rio-de-janeiro-1859_26.html

 

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Não desista nunca

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Fotos: Luciano Medina Martins 

O Grupo Androids do Colégio Coração de Maria da cidade de Esteio, na região metropolitana de Porto Alegre, hoje faz exatamente 10 dez dias, ganhou o Asia Pacific Open Champioship, que é o campeonato mundial de robótica que aconteceu na Austrália entre os dias 6 e 9 de julho. Ganharam de equipes de países como Japão, Coréia e China, onde a educação para tecnologia já é uma tradição e recebe muitos recursos. Os encontrei a espera para entrarem no Bibo Nunes Show, programa de TV com entrevistas que destacam bons exemplos e iniciativas de sucesso no Rio Grande do Sul.

Os alunos são organizados pelo professor de robótica educacional Gilmar Alves Ferreira, o grupo de 9 jovens entre 14 e 18 anos que foi até a terra dos cangurus é muito animado e composto de diferentes personalidades e competências. “Um time de robótica é como um time de futebol, nem todos podem ser atacantes ou goleiros, precisamos de pessoas de diferentes perfis”, explica o professor Gilmar Alves, que também levou com o grupo instrumentos de samba, como bumbo, pandeiro e tarol, tocados pelos alunos, o que destacou a equipe pela animação. A percussão é também incentivado pelo professor Alves que além da robótica gosta muito de música.

“Nos destacamos por não encarar o campeonato como uma competição acirrada, mas sim como uma confraternização”, explica com muita desenvoltura Ana Clara Andrades, uma das três meninas no grupo. “Nos avaliaram pelo robô, pela pesquisa e por nossos core values (valores), termo grifado em inglês por Ana Clara. “Fomos considerados como a alma do campeonato, por nossa atitude como time e como pessoas, na maneira de interagirmos com os outros times, de forma colaborativa”, explica Lucas Tamanini. “Olha a quantidade de tecnologia que os coreanos trouxeram, e a gente com um lap top” contou Tamanini sobre a diferença nos materiais levados por cada equipe. Mesmo assim prevaleceram os valores, a criatividade e o espírito de equipe do time do Brasil.

O tema do campeonato foi “Animal Allies” (“Animais Aliados”, na tradução). A proposta era criar projetos para melhorar a relação entre homens e animais. Os brasileiros ganharam com um protótipo que imita a frequência do ronronar de um gato e que serve para acalmar outros animais durante o pré-operatório. Perguntados sobre quem teve a ideia, a resposta veio em uma só voz e na hora “todos nós”. O aluno Bruno Schuler explicou que descobriram uma pesquisa norte americana em que a frequência do ronronar do gato seria associado ao relaxamento, inclusive humano.

“Não desistir nunca”, esta é o mote do grupo, dito em coro uníssono. O time já ganhou outros campeonatos, é o atual bi-campeão gaúcho em robótica, com diversas participações em torneios nacionais, conquistando prêmios e agora se prepara para as próximas etapas regionais e locais que começam em agosto. Perguntados sobre patrocínio, eles respondem dizendo que até agora foi só “paitrocínio”, se referindo aos pais como principais investidores. Para Gilmar não existe dúvida que o ensino tecnológico, e em especial de robótica é uma experiência que incentiva os jovens a carreiras também na tecnologia e criatividade, e que a maioria dos participantes do projeto que já terminaram o ensino médio procuraram formação nas engenharias. Mesmo assim William Barth, o porta voz do grupo, diz que pensa em medicina como uma futura carreira. Perguntados sobre a presença de meninas no grupo Bruno Schuler explica que “já teve mais meninas”. O troféu que lembra uma taça de campeonato esportivo é feito de lego, a equipe ganhou na categoria dos robôs feitos com lego, uma das mais disputadas.

A equipe que foi a Austrália era formada por 11 pessoas, dois professores, entre eles uma tradutora e 9 alunos. Participaram da conversa comigo a professora de inglês Andressa Martins, o professor de robótica Gilmar Alves Ferreira, os alunos Lucas Tamanini, Cássio Vidal, Bruno Schuller, Ana Clara Andrades, Fabrício Behenck, João Gabriel Biazus e William Barth

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A máfia mais alavancada do mundo

O crime no Brasil mata mais que guerras do Oriente Médio. Se levarmos em consideração o número de homicídios em relação à população total, estamos em 9º lugar no mundo – à frente de países da África e do Oriente Médio – segundo os números da OMS (Organização Mundial da Saúde). Brasileiros armados de fuzis lutam uns contra os outros em uma verdadeira guerra civil, fazem vítimas fora deste conflito, atingindo crianças, estudantes, famílias, idosos. Violência banalizada em noticiários diários. As milícias do narcotráfico contra soldados e policiais brasileiros protagonizam batalhas violentas nas quais esquecem das comunidades onde estão, devastam com tiros várias áreas das grandes cidades. Rifles e munição são importados e não são baratos.

Os investigadores da Polícia Civil do Rio de Janeiro estimam 50 mil reais para um fuzil AK 47 e 100 mil reais para um AR 15, seriam custos médios no mercado paralelo da capital carioca, quase 20x mais caro do que nos EUA, onde o rifle Russo pode ser comprado por menos de 700 dólares. Este cenário não é de graça, pelo contrário, custa muito caro. De onde vem o dinheiro para as armas e munição usadas por estes grupos do crime para matar mais por dia no Brasil do que o confronto entre Israel e Palestina?

Centenas de esquemas de desvio de verbas públicas levaram trilhões para dentro de organizações criminosas. Parte da atividade dos criminosos comuns acabou sendo financiada pelo dinheiro público roubado que tinha que ser lavado em grandes volumes. Atividades ilegais internacionais são um bom canal para escoar e ainda fazer mais dinheiro, o narcotráfico é a atividade criminosa mais rentável do mundo, segundo o instituto Global Finance Integrity. O Brasil se tornou o maior mercado de crack do mundo e o segundo de cocaína, aponta o 2º Levantamento Nacional de Àlcool e drogas, divulgado pela USP, isto em um cenário mundial de redução do uso de cocaína.

Em 2014 foi presa pela Interpol na Espanha a doleira gaúcha Maria de Fátima Stocker, ela vivia junto com um executivo de banco suíço. Maria obteve cidadania suíça constituindo uma família no país após adotar duas crianças. Segundo a Folha de São Paulo a doleira ao receber dinheiro de traficantes internacionais de cocaína pura, que operam no porto de Santos, avisava ao, também doleiro, Alberto Youssef, que já ela já estava com o dinheiro e que ele podia passar o valor correspondente, no Brasil, aos traficantes. Youssef levantava o dinheiro para financiar os pagamentos do tráfico de cocaína junto aos seus relacionamentos dentro do governo petista e nos desvios de recursos da Petrobrás e até no Ministério da Saúde, também segundo a reportagem da FSP. Quantas doleiras e doleiros ligados a traficantes e políticos não foram identificados? Não sabemos. Mas sabemos que muito do dinheiro desviado “sumiu”.

Não medimos com precisão no Brasil o impacto econômico dos muitos valeriodutos, mensalões, mensalinhos, e milhares de propinodutos e esquemas de lavagem de dinheiro. A ONU estima o valor da corrupção brasileira em pacatos 100bi de dólares por ano. A suspeita de que parte pode ter ido para o narcotráfico é forte. Já foi manifestado inclusive pelo presidente do TSE, Dias Toffoli, a preocupação quanto ao financiamento de campanhas políticas pelos narcotraficantes, especialmente de campanhas municipais. Só que esta via é de duas mãos. Traficantes financiam políticos que financiam traficantes, que lavam dinheiro para corruptos.

Uma apostila de 28 páginas utilizada em cursos para policiais brasileiros promovidos pela DEA (Drug Enforcement Administration), a agência federal antidrogas dos Estados Unidos, previa em 2000 o aumento do narcotráfico e do consumo de drogas no Brasil. Órgão do país onde há o maior consumo de drogas ilícitas no mundo, a DEA estima que cresceria o uso do Brasil para lavagem de dinheiro proveniente do narcotráfico devido à “dificuldade de implementação das leis, corrupção e falta de vontade política e cooperação entre as instituições”.

A agência afirma, no texto em português obtido pela Folha de São Paulo, que uma das suas “responsabilidades” no Brasil é “estabelecer “fontes confidenciais” para fornecer pistas sobre operações ligadas ao tráfico de drogas”. A instituição não descreve como seus informantes operam no país. O cenário desenhado na apostila da DEA faz quase 20 anos já era bem sombrio e acabou se confirmando.

No início do milênio o “Relatório sobre estratégia internacional de controle de narcóticos”, divulgado pelo Departamento de Estado, o Brasil era apresentado como um grande corredor da cocaína que segue para os Estados Unidos e para os países europeus. 10 anos depois, em 2010, a ONU (Organização das Nações Unidas) colocou o Brasil como “principal corredor da cocaína no mundo” no relatório A Globalização do Crime: Uma Avaliação sobre a Ameaça do Crime Organizado Transnacional. Atualmente mantemos a posição.

Em 2010 o tráfico faturava cerca de R$ 1,5 bi, segundo o relatório mundial do escritório da Organização das Nações Unidas sobre Drogas e Crimes (Undoc). Em 2016 aproximadamente R$ 15,5 bilhões foram movimentados pelo tráfico de drogas segundo levantamento da Consultoria Legislativa da Câmara de Deputados. O negócio das drogas, que envolve um em cada quatro adultos no mundo, movimenta cerca de U$S 320 bilhões ao ano, segundo a ONU. No Brasil, somente o Comando Vermelho e a Família do Norte, pivôs da crise atual, giram cerca de R$ 1 bilhão por ano, aponta o sociólogo e integrante do Fórum Brasileiro de Segurança Pública Robson Sávio. Já existem pesquisadores ligados a universidades preocupados com as questões relativas à Economia do Crime, que no Brasil tem características bem próprias e envolve milhões de pessoas.

Em junho de 2017 a Polícia Federal começou a desbaratar um esquema que suspeitam os investigadores da PF, trouxe milhares de fuzis AR 15 para dentro do Rio de Janeiro pelo aeroporto do Galeão, a apreensão de 60 fuzis foi a maior na história do aeroporto. Um mês antes da apreensão de 60 fuzis no aeroporto do Galeão, uma operação do Bope na Cidade Alta também resultou em uma das maiores apreensões de armas do tráfico na história recente do estado. Nesta apreensão 32 fuzis foram encontrados pelos agentes. Até então, o estado nunca havia registrado um número tão grande de armas do tipo sendo interceptadas em um único dia de operação. Ao mesmo tempo, a ação reforçou o tamanho do poderio bélico das principais facções criminosas no estado. Cada fuzil AR 15 pode chegar a 100 mil reais no mercado negro fluminense. Os números crescem com a globalização do negócio criminoso nascido no Rio, o embate entre PCC e CV, que ocorre pelo domínio do tráfico na fronteira com Colômbia, Bolívia e Paraguai representa uma movimentação financeira anual na casa dos US$ 150 milhões.

A partir de informações dos militares brasileiros, mesmo com a entrega de parte do arsenal das Farcs para as Nações Unidas (ONU), conforme estabelece o acordo, armas com alto poder de fogo dos rebeldes devem abastecer o mercado brasileiro, a partir do tráfico. O general Theophilo Gaspar de Oliveira, responsável pelo Comando Logístico da Força, em Brasília, afirma que armas de grosso calibre estão entrando no Brasil em direção às capitais. “O mesmo que ocorreu na Nicarágua nos anos 1990. O armamento velho, como carabinas, armas de caça, espingardas calibre 12, são entregues ao governo da Colômbia. Já as armas novas, como o AR15 e o AK47, são vendidas para criminosos no Brasil na fronteira”, aponta o general.  Certamente grupos criminosos que conseguem absorver o arsenal de um exército inteiro estão bem financiados. Não surpreende que grupos criminosos tenham mais e melhor armamento do que as forças policiais oficiais dos governos federais, dos estados e dos municípios, o que chama a atenção é que parte deste arsenal possa estar sendo comprado com dinheiro desviado do governo.

* * *

Setores de governos no Brasil foram transformados em partes de uma gigantesca máquina criminosa, injetando dinheiro até mesmo no tráfico de drogas. Como existem trilhões em recursos roubados do governo brasileiro e que precisaram desaparecer o crime acabou recebendo mais recursos públicos do que o saneamento básico ou a cultura. Por isso morrem no Brasil mais pessoas assassinadas pelo crime do que pessoas assassinadas em conflitos armados abertamente conflagrados em países do oriente médio. Quanto mais dos números da corrupção forem revelados e esclarecidos os caminhos para onde este dinheiro acabou indo, mais vamos perceber que nós brasileiros temos a máfia mais alavancada do mundo.  Paradoxal é que os recursos tirados do contribuinte, sob a justificativa de que seriam usados para garantir seu bem estar e cidadania acabam sendo desviados e usados para atividades que regridem o bem estar e degradam a cidadania.

Imagem de fuzis apreendidos no Aeroporto do Galeão em junho (Foto: Divulgação)

Imagem de fuzis apreendidos no Aeroporto do Galeão em junho (Foto: Divulgação)

Links relacionados
http://www.vix.com/pt/noticias/546281/homicidios-por-que-o-brasil-e-o-pais-que-mais-tem-assassinatos-em-todo-o-mundo
http://www.who.int/gho/publications/world_health_statistics/2017/en/
http://www.folhapolitica.org/2014/05/dinheiro-desviado-da-petrobras.html
http://noticias.r7.com/cidades/noticias/preco-alto-de-fuzis-leva-traficantes-a-atacarem-a-policia-no-rio-de-janeiro-20100529.html
http://g1.globo.com/rio-de-janeiro/noticia/policia-civil-apreende-60-fuzis-de-guerra-no-aeroporto-internacional-do-rio.ghtml
https://noticias.uol.com.br/saude/ultimas-noticias/redacao/2012/09/05/brasil-e-o-maior-mercado-de-crack-no-mundo-aponta-levantamento.htm
http://www.vivario.org.br/publique/media/The_Value_of_the_Ilegal_Firearms_Market_in_the_City_os_Rio_de_Janeiro_by_Patricia_Rivero.pdf
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/brasil/fc2611200026.htm
http://g1.globo.com/rio-de-janeiro/noticia/policia-cre-que-outras-30-cargas-como-a-dos-60-fuzis-apreendidos-no-galeao-tenham-entrado-no-pais-por-rota-de-miami.ghtml
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-33002008000100004
http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/brasil/2017/03/05/internas_polbraeco,578219/trafico-de-armas-deve-ser-alimentado-por-ex-guerrilheiro-da-farc.shtml
http://noticias.r7.com/cidades/noticias/brasil-e-o-principal-corredor-da-cocaina-no-mundo-diz-onu-20100617.html
http://www.apocalipsenews.com/brasil/guerra-civil-no-rio-de-janeiro-pcc-e-ada-unidos-contra-o-cv-marcola-versus-fernandinho-beira-mar/
https://oglobo.globo.com/rio/dificuldade-da-policia-em-conter-trafico-de-armas-recorrente-no-rio-21427053#ixzz4lpPVdOFrstest

http://www.gunbroker.com/AK-47/Browse.aspx?Keywords=AK47

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Hackers no comando

Se você achou que a segurança na web não poderia ficar ainda pior, ficou.

Golan Ben-Oni descobriu isso em primeira mão. Ben-Oni é o executivo global para informação da IDT Corporation, um conglomerado de tecnologia que tem em seus quadros ex-senadores, ex-governadores entre outros influentes em Washington, que foi vítima de um ataque cibernético em que eram usadas armas cibernéticas roubadas da NSA, a agência de segurança nacional dos Estados Unidos.

Os hackers aprisionaram os dados da IDT e exigiram um resgate. Isto é parecido com o que aconteceu com a WannaCry, um sequestro digital que atingiu hospitais e outras organizações no mundo inteiro, em maio deste ano.

O hackeamento testemunhado por Ben-Oni foi ainda mais longe. Exigir o resgate foi só uma cortina de fumaça para uma ataque ainda mais invasivo onde foram roubadas informações das credenciais de funcionários que permitiriam aos hackers andar livremente pelos sistemas da IDT.

A pior parte desta notícia, que já é ruim, é que Ben-Oni, que luta para encontrar os hackers, está convencido de que outros ataques acontecem sem que se perceba em todo o planeta. “Não temos como pegar quem faz isso e está acontecendo embaixo dos nossos narizes”, concluiu Ben-Obi “o mundo não está preparado para isso”.

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Este seria drone em formato e tamanho de mosquito usado pelo exército americano para espionar. Este ainda está no campo da especulação ficcional, mas os ataques dos hackers são bem reais e o Brasil não tem forças de segurança o suficientes para inibir a ação destes grupos.

Fonte: New York Times

Acessado em 28/06/ 2017 às 16h.

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Quer passear de graça, numa minivan zero que roda sem motorista?

Motoristas dispersos, desatentos de plantão que teclam em seus celulares, condutores atormentados pela bagunça de crianças pulando dentro do carro, motoristas que esquecem dos óculos, os riscos que eles causam estão com os dias contados. Waymo, empresa surgida dentro do Google, que desenvolve tecnologia de carros sem motorista, agora oferece passeios gratuitos na cidade de Phoenix nos Estados Unidos. Basta se candidatar no site da empresa para o programa de usuários pioneiros. Confere o site da Waymo https://waymo.com/

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Motoristas desatentos, o pior problema de segurança no transito pode estar com seus dias contados.  (Imagens: Waymo)

Trabalhando nesta tecnologia desde 2009 a empresa já vem testando e desenvolvendo a tecnologia faz quase 9 anos, não é a primeira vez que um carro sem motorista anda em vias públicas,estes testes já acontecem desde 2012, em 2015 aconteceu em um carro sem direção ou pedais. Agora Waymo em parceria com a Chrysler coloca minivans Pacifica Hybrid nas ruas de Phoenix, levando pessoas comuns que se voluntariaram para os testes. Os carros só funcionam em uma área restrita, ou seja não tem como fugir para o México com um desses, a novidade é um carro de linha, que oferece uma plataforma que pode ser completamente integrada ao sistema de carro sem motorista desenvolvido pela Waymo.

Foram colocados nas ruas 500 desses modelos pela Waymo a tornam a líder em tamanho de frota de carros sem motorista sendo testada. A promessa de um futuro com mais conforto e segurança no trânsito tem atraído muito a atenção dos desenvolvedores e tem sido inclusive objeto de disputa entre gigantes do Vale do Silicone, como Google e Uber. Muito em breve outras cidades terão testes do novo veículo. Carros mais autônomos e que supram as falhas e até a falta do motorista são um futuro que parece inevitável.

Confere a reportagem do New York Times https://www.nytimes.com/2017/04/25/technology/daily-report-more-self-driving-cars-take-to-the-streets.html?em_pos=large&emc=edit_tu_20170425&nl=bits&nlid=61952484&ref=headline&te=1&_r=0

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Não estava teclando, estava digitando

#LibertinagemDigital

Convidado para esse seminário sobre liberdade na era digital, feito para jovens, numa universidade bacana, moderna, toda conectada, “wired”, galera do campus party e da TEDx, so nerds, iria estar entre gente normal como eu. Cheguei cedo e sentei na primeira fila, pra minha sorte sentou ao meu lado um dos organizadores do evento. O conferencista começou a falar e no que o tema fica mais técnico o pessoal sacou seus netbooks, MacBooks, iPads para escrever notas, eu escrevo no celular mesmo, uso um app que salva tudo na nuvem, acho bem prático, estou acostumado a escrever no celular desde o tempo que usava um blackberry com tecladinho. Por duas horas fiz minhas anotações no meu humilde smartphone asiático, confesso, sou da geração do walkman e uso um smartphone da Sony. No intervalo fui ao banheiro e o assessor que me credenciou comentou “ta apaixonado? Deixa pra conferir o Twitter no intervalo.” Respondi com um boquiaberto:  A-hã. Eu não estava teclando, estava digitando minhas notas. Fiquei feliz que estavam me observando, que bom, alguém olha pra mim, mas preocupado de que seria o alvo da raiva dos organizadores e chateado com o preconceito contra quem não anda com um equipamento maior do que um celular para anotar. Para minha sorte o conferencia terminou sem mais nenhum intervalo e ao fim o conferencista encerra sua palestra frisando que aqueles te tivessem feito notas poderiam compartilhar na Fan Page da palestra dele. Ele mal terminou de falar eu já tinha compartilhado, lavei a alma, fui o primeiro a participar do debate na page.

No mesmo dia  fui a uma reunião em uma instituição que representa o setor de TI, uma espécie de associação dos programadores, ótimo, fui de alma lavada, tinha sido ganho a batalha da rapidez da informação, mostrando que usar celular em reunião não serve só para teclar com alguém, posso estar digitando minhas notas.  Começamos a reunião da tarde, pequena, quatro pessoas. Sentamos a uma mesa oval e na hora todos abriram caderninhos sobre a mesa, para anotar. Eu com um celular na mão. Começamos a falar, e anotei o que um deles falou, ali mesmo no celular, foi como se a reunião tivesse parado, ficaram olhando eu anotar como se fosse algo de outro planeta, então expliquei, “não estou digitando, estou teclando”,  uso um app de notas e que salvo as notas da reunião nesse app que só serve para digitar. Foi bacana, o pessoal olhou o app, outra participante já pegou no seu celular, escondido no bolso,  seguimos conversando. Ao fim uma das participantes me contou que mesmo muita gente de TI indo lá, eles evitam celulares nas reuniões. Ou seja, havia pisado em um terreno perigoso dos preconceitos corporativos, o celular. O smartphone é um computador de mão,  como uma fonte de informação e cálculos vira um alienígena nas reuniões de empresas entre seus diretores? Pode isso?

A percepção das pessoas ainda é de que teclar em um celular equivale a se distrair, ou ainda pior, perturbar o ambiente ou até ofender alguém que ocupa um palco usando o celular enquanto outro fala, como se interrompesse a fala dessa pessoa. Um telefone tocando em meio a uma reunião de diretores seria exatamente o mesmo que escrever em sua testa “otário”, a coisa ficou tão séria que o celular foi proibido em reuniões em algumas empresas.

Muitos se incomodam com o fato de se usar o celular ao lado delas enquanto elas assistem a uma conferência, mesmo que este celular não emita som algum, a luz perturbaria. Desconfio que  a curiosidade por dar uma olhada na conversa do outro talvez seja mesmo perturbadora para muita gente. Esta rejeição ao dispositivo móvel está aos poucos sendo superada e as pessoas vão entendendo que além de namorar e me divertir através do celular, o que pra muitos é coisa banal, desnecessária, chata, invasora da privacidade e até perturbadora da ordem, posso também anotar, trabalhar, me informar, buscar remédios, alimentos e até participar de esferas essenciais da vida cidadã.

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Ao proibir smartphones em reuniões ou salas de aula estamos só tapando o sol com a peneira da falta de capacidade técnica e/ou criativa de aproveitar o fato de que as pessoas portam um computador em suas mãos. O que outrora era o sonho de gestores e educadores virou objeto de preconceito, constrangimento e até bullying. As diferenças de competência e o analfabetismo digital pode até ficar mais exposto quando todos tem computadores em suas mãos, o que nada mais é do que um desafio com desdobramentos muito promissores.

Para completar o dia de constrangimentos e preconceitos com o celular, na aula de pós-graduação começo a digitar no celular e o professor, justo aquele mais famoso, publicado e amado como pop star, interrompe sua explanação, e começa a discursar sobre o déficit de atenção dos alunos como sinal de descomprometimento consigo mesmo, pronto. Já era de novo o alvo de olhares de reprovação por estar digitando ao celular. De novo expliquei, “não estou teclando, estou digitando”. De imediato a colega muito querida desfere “então digita depois e presta atenção”.  Agora sou obrigado a usar caneta e papel.  Lembro que nos anos 90 logo que surgiram PCs e eletrônicos de mão já no fim da década os educadores começaram a pesquisar sobre a aplicação deles em sala de aula. A expectativa de alguns educadores era de que “Handheld Gadgets”, equipamentos de mão, fossem mais interessantes pois os alunos poderiam caminhar na sala de aula, formar grupos e um mostrar para o outro suas descobertas. Para a minha total surpresa, hoje em dia o celular é visto como um inimigo da sala de aula. Será mesmo?  Imagine todos os seus alunos, ou quase todos, com um computador de mão. Sonho da educação em outros tempos.

Não é só uma questão de uma novageração de usuários, que cresceu com um smartphone na mão, o fato mais profundo e civilizatório é o de se formarem comunidades de leitores, de pessoas que participam de um processo de diálogo feito com dedos e com letras, escrito. Se esta ferramenta com alto padrão de processamento de dados não consegue ser usada  para incrementar a eficiência de reuniões, salas de aula, debates sobre o futuro da tecnologia então algo muito estranho está acontecendo com a percepção das pessoas, sobre como criamos soluções para nos comunicarmos melhor, para mais rapidamente superar desafios, entregar soluções criativas.  Se o professor não consegue em sala de aula ser mais atraente que o smartphone, fica a dica de Paulo Freire, de usar os elementos da cultura do educando para se comunicar com ele, me parece até um desafio bem fácil, imagine que em outras épocas o professor tinha que ser mais interessante do que rock n’ roll.

Sim, sou daquela geração de maníacos que vai ao show e levanta a mão pra tirar uma foto do artista.  Aliás, no show dos Stones estava com o pé quebrado e só pude assistir graças a uns amigos que transmitiram pelo Periscope usando seus celulares. Dica. Reduza o brilho do monitor, realmente atrapalha menos.

No link fica minha dica de leitura sobre o tema, o artigo de  Jonah Stillman autor, juntamente com seu pai, David Stillman, escreveu o livro “Gen Z @ Work: How the Next Generation Is Transforming the Workplace.” https://www.nytimes.com/2017/04/07/jobs/texting-work-meetings-social-media.html?mwrsm=Facebook&_r=0

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Frivolidade é teu nome

Uma das estratégias do jornalismo, dos formadores de opinião e dos caçadores de votos,  a fim  de gerarem audiência, é  pinçar um fato, entre os vários em evidência, jogarem os holofotes sobre este tal fato e assim agendarem os debates. Ou seja, pautarem o debate de quase todos em todas as esquinas. Em um movimento gregarista somos compelidos a opinar e debater sobre o tal fato destacado.

Vamos aos números. Segundo o Instituto Brasileiro de Ciências Criminais (IBCCRIM) em São Paulo quase 40% dos idosos que sofrem agressões são vitimados pelos seus filhos e filhas, justo aqueles deveriam os cuidar. Só em São Paulo o número de ocorrências policias de violência contra idosos está na faixa da centena de milhares por ano, levantando a forte suspeita de que a violência contra o idoso seja um problema com alta incidência dentro dos lares brasileiros. Situação paralela acontece com crianças no ambiente escolar e doméstico. Aqueles que deveriam cuidar e educar as crianças as agridem, as desrespeitam e as escravizam. De 2013 para 2014, o número de meninas e meninos entre 5 e 15 anos trabalhando no país subiu 8% (Unicef). Mais de 3 milhões de meninos e meninas ainda estão fora da escola no Brasil (Pnad, 2013), muitos buscam ajudar suas famílias a sobreviverem e abandonam os estudos. 

Essa exclusão escolar tem rosto e endereço: grande parte daqueles fora da escola são pobres, negros, indígenas e quilombolas. Sendo que a parte majoritária das crianças que evadiram vive nas periferias dos grandes centros urbanos. Todos os outros grupos sociais também apresentam algum tipo de deficiência educacional entre crianças. Portanto, no Brasil o maior grupo com as mais graves carências e vulnerabilidades que levam até mesmo a fatalidade é o das crianças.

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Alguns temas se tornaram tão espinhosos que qualquer reflexão é vista como enfrentamento. Polarizar a sociedade entre grupos opositores só interessa a quem se beneficia com o enfrentamento. (Foto: Luciano Medina Martins)

Mas o que faz com que a situação de desrespeito as mulheres receba tanta atenção a mais do que a dos idosos e das crianças? Audiência e votos. Existem mais títulos de eleitor nas mãos das mulheres que também têm presença majoritária entre os telespectadores de novelas brasileiras e no Facebook entre brasileiros. Segundo o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) mulheres na faixa etária entre 45 e 59 anos foram as mais atuantes nas urnas eletrônicas nas últimas eleições. Ainda segundo o TSE mulheres representam 53% do total de eleitores do Brasil.  Muito possivelmente a gigantesca proliferação de candidatas aos parlamentos, focadas em causas femininas e feministas e de programas partidários com estes temas, trata-se de um fenômeno do marketing político voraz por votos e audiência e que identificou neste segmento um nicho interessante. No vácuo de partidos políticos e formadores de opinião vão as marcas (brands) que precisam associar-se a causas e também competir por fatias deste mercado, se não forem posicionadas em questões humanitárias correm o risco da rejeição pelo público, não se surpreendam com um número maior de marcas de produtos e serviços oferecidos por grandes conglomerados se ligarem a luta da mulher ou a causas femininas. 

Falta de saneamento básico, calçamento precário, descarte inadequado do lixo, professores sub remunerados, escolas precárias, falta de merenda escolar de qualidade, evasão escolar, hospitais super lotados, falta de vacinação, abandono na infância e violência contra idosos constituem-se em situações que fazem muito mais vítimas do que os problemas de relacionamento entre homens e mulheres, entretanto estes assuntos não dão tanta audiência, não vendem tanto jornal, não focam no gosto do público que mais consome informação e geram menos votos para grupos que buscam espaço na mídia e influência na sociedade.

Se permitimos que a conversa de camarim da telenovela, ou as cartas marcadas dos concursos de televisão agendem o debate nacional, e a conversa de todas as esquinas então nos tornamos reféns da frivolidade que já faz séculos foi alvo da ironia de Hamlet. 

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Os Caroneiros

Teorias sobre Teori.

O que o Ministro fazia em um avião particular? Ou agora o salário de Ministro dá para pagar voos que custam milhares de reais ou comprar e manter um aviãozinho de um milhão de dólares e sua tripulação? Ou era só uma carona? E o caroneiro mais um “que não é dono de nada em Parati”?

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Saquinho de vômito da Virgin Airlines. Arte na hora de dar um feedback para a empresa.

Estamos fritos neste país comandado por uma corja digna de filme de humor do tipo Luar Sobre Parador. Lembra? 1988, com Sônia Braga e Richard Dreyfuss. Que tal um remake com o título: Voar Sobre Parati?

Somos uma ridícula república de bananas. Pelo menos com Donald Trump nos sentiremos mais normais, afinal o gringo do bronzeado de urucum natural já ensaia os primeiros passos no sentido de ignorar conflitos de interesses ou nepotismos e de transformar a Casa Branca numa casa banca, onde o escritório oval será um quiosque de negócios de sua família trampa. Coisa que nos governos do Brasil é prática corriqueira como um cafezinho.

Falta explicar se Temer, que é investigado, vai indicar o Ministro que poderá vir a ser seu julgador ou se a Ministra, que também se constrange para explicar seus ganhos e caroninhas, vai fazer um “sorteio” entre outros caroneiros de jatinho particular do tipo: tire a sorte grande e derrube mais um presidente. Dica do Gilmar, só pegue carona no jato presidencial com o presidente. Vai ter até Prêmio Profissional do Ano para o caroneiro mais destacado de 2017.

Que enredo. #textão ou #testão? Dãhhhh… Já se tornam evidentes na mídia vários teóricos da conspiração, eles tem um cheiro forte de oportunismo midiático e político que dá até enjoo, estou sem saquinho de vômito. A pimenta marrom continua sendo o tempero preferido dos webjornalistas da era do pós fato. E claro… a culpa foi do piloto, como em 99,9% das explicações oficiais. #PRONTOFALEI Tem paracetamol? E saquinho de vômito?

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Protesto: Meninos querem ir de saia para escola

Estudantes protestam por códigos de vestimenta iguais para todos gêneros. Para estudantes da Flórida os códigos de vestuário são sexistas ou não-inclusivos para estudantes transgêneros. De acordo com especialistas norte-americanos a roupa não pode ser motivo para se retirar um aluno da sala de aula. Será que roupas mais ousadas seriam uma forma de tirar a atenção dos outros alunos? Abaixo segue a tradução da reportagem veiculada pela CNN nos Estados Unidos nesta sexta-feira, dia 26 de fevereiro.

(CNN) Meninos do ensino médio usando vestidos posam sorridentes. Eles sabem que estão quebrando as regras da escola e esperam que suas roupas estimulem a mudança.

Os estudantes da Buchanan High School, em Fresno, Califórnia, questionam as normas de gênero após a decisão da Câmara da Clovis Unified School de não rever o código de vestimenta, inalterado já faz décadas. Para os alunos este código viola a lei estadual de direitos de gênero. Os curadores votaram contra recomendações para permitir que os meninos possam ter cabelos longos e brincos. Os curadores também se recusaram a remover o trecho do código que diz que vestidos e saias são para meninas.

Este é um dos muitos protestos contra os códigos de vestimenta que os alunos alegam que são sexistas ou não-inclusivos para os alunos transexuais e aqueles que não se conformam a um gênero. Embora códigos de vestuário sejam tema de controvérsia, tem havido um ressurgimento na mídia social do debate feito por estudantes que lutam para fazer os códigos de vestimenta iguais e inclusivos. Com a mudança dos tempos, os estudantes estão lutando para expressar sua identidade livremente.

Dezenove por cento dos 7.800 estudantes pesquisados ​​no ensino fundamental e médio em todo os EUA disseram que foram impedidos de usar roupas consideradas “inapropriadas” com base no seu gênero, de acordo com a Pesquisa Nacional sobre Gays, Lésbicas e Heterosexuais na Rede de Educação em 2013. Adolescentes estão pedindo a suas escolas para atualizar as políticas de modo a refletir a evolução das normas na sociedade.

No ano passado, mais de 200 estudantes em Staten Island, Nova York – quase todos eles do sexo feminino – foram detidas por infrações ao código de vestimenta. Na Flórida, os estudantes foram envergonhados publicamente por violar códigos de vestimenta e foram forçados a usar “roupas decentes”.

Os alunos estão usando suas roupas para fazer uma declaração contra a falta de equidade das políticas de códigos de vestimenta e como elas são aplicadas. A estudante de Oklahoma, Rose Lynn rabiscou em sua camisa o que um administrador da escola disse a ela quando ela foi mandada para casa porque violava código de vestimenta. “Ele não cobre sua virilha” lia-se na camiseta e “Você vai distrair os meninos.”

A postagem no Facebook de Lynn – na qual ela informou que sua escola a mandou para casa pelo que ela considerava ser era uma roupa apropriada, se tornou viral em dezembro de 2015. Sua postagem mostrou a roupa que ela usava originalmente ao ir para a escola e a que ela voltou vestindo. “Então, mais uma vez, a sociedade não foi capaz de defender as jovens, confinando-as em uma caixa, onde elas são removidas do seu sentido de auto-estima e auto-expressão, em vez de ensinar os jovens a respeitar os limites com as jovens” Lynn escreveu.

Ela e sua mãe, Misti Delgado, se reuniu com o diretor da escola e supervisor Lawton Escolas Públicas do ensino secundário após seu post viral. “Eles pediram a ela para ser assistida por um conselheiro para trazer a consciência a esta questão na sua escola e em todo o país”, disse Delgado a CNN. “Eles estão trabalhando em conjunto para aumentar a educação sobre este assunto.”

Não só os estudantes foram disciplinados por violar os códigos de vestimenta, alguns dizem que eles já enfrentaram discriminação. Um menino de escola em uma equipe de torcida organizada em Ohio foi negado o acesso ao almoço no início de fevereiro por que vestia uma tiara em seu cabelo. Meninos no West High School, em Columbus, Ohio, em seguida, usavaram tiaras no cabelo para mostrar a sua solidariedade para com o colega.

O estudante afiliado a liga de torcida WSYX, disse à CNN,  que a senhora do almoço afirmou que ele não poderia usar uma tiara, porque ele não era uma menina. Os alunos começaram a Twittar a hashtag #BowsforBoys (garotos pelos garotos) campanha para mostrar apoio e protestar contra a discriminação. A escola disse a WSYX que a discriminação não é tolerada, e mudou-se a senhora do almoço para um trabalho no qual ela não interage com os alunos.

Algumas meninas do ensino médio dizem que são injustamente alvo dos códigos de vestimenta da escola. No semestre passado, um grupo de meninas em Charleston County School of the Arts em North Charleston, Carolina do Sul, usavam camisas com um  “A” vermelho que dizia:  “Eu não sou A distração” Eles foram inspirados pelo #IAmMoreThanADistraction (eu não sou A distração) movimento que foi iniciado por meio escolar em South Orange, New Jersey. estudantes Charleston tomou sua própria versão sobre o protestes – eles usaram o símbolo vermelho “A” a partir de “A” em “a distração” e iniciou uma campanha viral no Twitter usando a hashtag #IamnotADistraction.

Seguindo o protesto, os administradores da escola em North Charleston reuniram-se com os estudantes que esclareceram suas expectativas em relação a escola. Daniel Head, porta-voz do Distrito Escolar do Condado de Charleston, disse à CNN que a escola irá interagir respeitosamente com os alunos que não estão em conformidade com as expectativas do código de vestimenta do distrito. Não houve nenhuma alteração na política do distrito.

Os estudantes não são os únicos lutando para por mudanças: Muitos pais também dizem que os códigos de vestimenta são injustos com seus filhos. Niv Miyasatok, o pai de uma das meninas que começaram #IAmMoreThanADistraction em Nova Jersey, escreveu uma carta aberta ao diretor da escola da sua filha pedindo a escola não para não intimidar os alunos. Ela disse à CNN que as meninas começaram o movimento porque viram uma injustiça.

Miyasatok disse que os estudantes notaram colegas sendo punidas por suas roupas, e eles sentem que a aplicação da política provoca uma ruptura na educação dos alunos. “As meninas que organizaram o movimento se importam menos sobre com o código real do que com o sexismo inerente ao código”, disse ela. Miyasatok e vários outros pais foram para o conselho de educação em South Orange após o protesto das meninas. O código de vestuário foi mudado no distrito e implementado para o ano de 2015-2016 na escola. “Tem sido tão bom saber que algo como isso é importante para as pessoas e que todas os testemunhos contribuiram para se a encontrar uma abordagem justa”, disse Miyasatok.

Inspirado pelo movimento #IAmMoreThanADistraction viral, estudante Citrus High School de Mari Tufts, 17, conduziu uma experiência para descobrir se a roupa das meninas é realmente uma distração para os seus colegas masculinos. Em Inverness, Florida, a estudante ganhou destaque na Feira de Ciência e Engenharia do Estado da Florida, onde ela compartilhou suas descobertas. Tufts mostrou-lhes 26 diferentes fotos de meninas em roupas diferentes e cronometraram quanto tempo eles foram “distraído” pelas imagens.

“Eu fiz isso para as pessoas começarem a ver que as meninas não são uma distração e para parar de ensinar aos jovens que (a roupa) não é uma desculpa aceitável para se distrair da sua educação”, disse Tufts.

“Eu descobri que não havia nenhuma correlação entre qualquer uma das fotos que estavam no código de vestimenta ou fora do código de vestimenta. Então eu provei que roupas que eram violações do código de vestimenta não eram mais uma distração” do que as roupas em conformidade com o código de vestimenta, ela disse em seu projeto de ciência.

Uma pesquisa feita por Parcerias da Educação, Inc. mostra que os efeitos das políticas de código de vestimenta sobre educação são inconclusivos. No entanto, “alguns pais e autoridades afirmam que quando os alunos são enviados para casa ou colocadas em isolamento por causa de violações do código de vestimenta, que tem um efeito negativo sobre a suas oportunidades educacionais e desempenho final”.

Bárbara Cruz, professora da University of South Florida e autora de “códigos de vestuário escolar: prós e contras”, disse à CNN que existem algumas vantagens para uniformes e códigos de vestimenta, incluindo o aumento o desempenho do aluno, concentrando-se em um ambiente acadêmico e, no caso de uniformes, criando um espírito de equipe. No entanto, há também aspectos negativos que invadam os direitos dos estudantes como indivíduos e discriminam jovens transgênero.

Para os alunos que violam a política de códigos de vestimenta, a punição é geralmente ser removido da sala de aula ou ser mandado para casa. Como pai e educador, Cruz não tolera a remoção de estudantes da sala de aula, para Cruz isso disse nega ao aluno uma educação.

“Para alguns estudantes ser excluídos da comunidade escolar seria devastador e uma confirmação de que eles não pertencem a esta comunidade”, disse Cruz. “Para outros estudantes, ser removidos da sala de aula, pode até ser visto como um distintivo de honra, se eles se sentem muito fortemente envolvidos com a questão e fazem parte de protestos.” Cruz acredita que o movimento tem impacto, e está levando a entrada de mais do estudantes na política.

Alguns estudantes dizem esperar que os protestos mostrem as administrações de suas escolas que eles têm uma importância e que querem mudar as políticas de código de vestimenta e as maneiras em que eles estão sendo forçados a se vestirem.”Esperamos que o conselho venha a ver que não somos rebeldes sem causa, que simplesmente defendemos nossos direitos”, disse um estudante Buchanan High School.

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Pai, eu fico horrível de shortinho!

A discussão sobre uniformes escolares vai muito além da refrescante liberdade de usar shortinho reivindicada pelas alunas do Colégio Anchieta de Porto Alegre. Roupas pequenas podem chamar muito mais a atenção de outras meninas que não se acham o suficiente bonitas para usarem estas roupas menores e, no ambiente escolar, não tem nenhuma relação com machismo. Ansiedade sobre a aparência, controle do corpo e até distúrbios de alimentação podem ser fomentados pelo uso de uniformes que definem mais o corpo? Liberdade é permitir que algumas meninas possam comparar suas lindas pernas em uma competição de coxas? E as que não querem isso, vão se sentir em uma ditadura do shortinho? E quem não usar shortinho por se achar muito magrinha ou gordinha vai ser discriminada ou isolada?

Abaixo um trecho da reportagem do jornal inglês The Telegraph onde a discussão sobre uniformes escolares é nada shortinho.

Estudo Norte de americano de 2014 descobriu que meninas entre 10 e 11 anos que frequentam a escola junto com meninas com idade entre 12 a 14 têm 1,7 vezes mais probabilidades de estarem insatisfeitas com seus corpos, em comparação com aquelas que partilharam uma escola apenas com alunos mais jovens.

Os pesquisadores afirmam que as escolas exclusivamente primárias podem ter uma “vantagem de proteção” previnindo que as pré adolescentes tenham ansiedades em relação a peso e dieta quando se comparam as colegas mais velhas.

O estudo, realizado pelo Macalester College, publicado no Psychology of Women Quarterly, sugere que as alunas poderiam ser protegidas de pressões que surgem quando convivem com as meninas mais velhas e que podem levar a transtornos alimentares.

“Os níveis elevados de insatisfação corporal, desejo de emagrecer, a internalização do ideal de magreza, a vigilância corpo, e a vergonha do corpo podem comprometer adolescentes” sob ponto de vista social, emocional e de bem estar acadêmico, tanto durante os primeiros anos da adolescência e quanto na vida mais tarde, disse o chefe da pesquisa Jaine Strauss.

“Embora o interesse na imagem corporal tenda a diminuir à medida que as meninas se desenvolvem ao longo da adolescência, este estudo sugere que os agrupamentos com mais graus escolares podem influenciar o ritmo deste declínio de interesse” explica Strauss.

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Fonte: http://www.telegraph.co.uk/news/health/news/11105637/Middle-schools-make-young-girls-anxious-about-bodies.html

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